Viagem no Tempo

NZ Trip - Week 2

December 26, 2008

Segunda acordamos cedinho e corremos para Charlestown, pois tínhamos reservado um Black Water Rafting. Eu não sabia direito como ia ser, mas quando terminou eu queria ir de novo, foi muito tesão. Começou com um passeio de trenzinho que é mais pra encantar a criançada. Chegando na floresta, as famílias foram para um lado e o pessoal do rafting para outro. Vestimos uma roupa ridícula para ajudar a manter a temperatura. Eu tive a capacidade de separar duas botas de pé esquerdo e a essa altura não podia mais trocar, tive que fazer o passeio todo calçando um pé errado. Olhando pro meu pé parecia que eu ia andar em círculos, hehe. Aí cada um pegou sua bóia e se mandou escada acima até a entrada da caverna. Lá dentro é muito legal. Uma hora a guia falou pra todo mundo apagar a luz do capacete e sentir a escuridão e o silêncio lá dentro. É realmente impressionante, não deve demorar muito pra alguém perder a noção de tempo e espaço num ambiente desses. Seguimos caminhando por formações bizarras de estalactites (teto) e estalagmites (chão). As únicas fotos são as que a própria guia tirou e, como fotógrafa, ela é uma ótima guia, pelo menos dá pra ter uma idéia de onde estávamos. Lá pra dentro, depois de 9 horas (ou 15 minutos, vai saber) de caminhada, finalmente encontramos as primeiras glow worms. Pra quem nunca ouvir falar, glow worms são minhocas com uma lâmpada na bundinha. Elas estão grudadas no teto de várias cavernas aqui na Nova Zelândia e são muito espertas. Insetos que entram na caverna de dia e não encontram a saída ou ovas que eclodem em um lugar muito escuro todos voam direto para a luz emitida pelas glow worms, aí é um abraço pro gaiteiro, elas paralisam as presas e partem pro banquete. A gente teve a sorte de ver um mostiquinho ser capturado por uma glow worm enquanto estávamos passando. Aí chegou a hora de ir pra água. Cara, é black water mesmo. A guia apagou a luz dos nossos capacetes, deitamos nas bóias, ficamos todos juntos engatados pelos braços e pés e começamos a nos mover remando pra trás. A sensação é muito maluca, boiar de costas em um ambiente totalmente escuro e cercado de pedras. Foi aí que entendemos o objetivo da coisa toda, entramos em uma área com o teto completamente forrado de glow worms. Sabe céu estrelado na fazenda? São milhares, talvez milhões de bichinhos formando uma galáxia e iluminando o teto da caverna. É espetacular. Depois dessa visão incrível, a brincadeira terminou com um passeio de bóia por um rio de corredeira de água verdinha e transparente. Nada mais para fazer em Charlestown, rumamos para Greymouth. No caminho paramos inúmeras vezes. Uma delas em Punakaiki para ver as famosas Pankake Rocks. São uma formação rochosa absurda, as pedras parecem panquecas empilhadas mesmo. Eu parei para ler as plaquinhas do parque para entender o porque daquilo e o que dizia era tão esclarecedor quanto “ninguém sabe dizer porque são assim”. É mais uma atração da natureza pra derrubar seu queixo. É lugar lindo atrás de lugar lindo e a gente não cansa de se impressionar. O caminho todo até Greymouth foi de 80 km. Nenhum posto de gasolina e eu estava no mico. Já estava até ensaiando na cabeça o discurso pra pedir carona até o posto mais próximo, mas não precisou. Chegamos lá no vapor, mas chegamos. A cidade em si, nada demais. Sim, tinha McDonalds e KFC, e a gente se arrependeu de não ter ido em um dos dois porque o restaurante que escolhemos foi o pior da viagem. O camping foi novamente um Top 10 Holiday Park e desta vez com uma estrutura quatro estrelas, tinha até uma salinha com fliperamas na qual eu perdi 40c apanhando para o E. Honda no Street Fighters II.

 

 

Terça curtimos uma praia deserta em frente ao camping em Greymouth e seguimos viagem. Nossa próxima parada era no Franz Josef glacier. No caminho passamos por mais paisagens incríveis. A Pri ficou de queixo caído com as primeiras montanhas cobertas de gelo no horizonte. Paramos para conferir um rio de água de azul ciano e temperatura congelante chamado Waiho River, que é o rio formado na base do glacier. E o que são glaciers afinal? Em poucas palavras, são rios de gelo. Eles são formados pela concentração de neve no topo das montanhas e escorrem por um leito num ciclo muito semelhante ao dos rios, só que muito mais lento. Ondas e cachoeiras também acontecem. Nas áreas mais inclinadas, o gelo se move a até 8 metros por dia e nas menos inclinadas cerca de 1 metro por dia. O Franz Josef tem 11 km de extensão e dirigindo 20 km ao sul chegamos ao Fox glacier que tem 13 km de extensão. Existem vários glaciers pelo mundo, mas apenas três chegam perto da costa: o Franz Josef, o Fox e um outro nos Andes. Além disso, os glaciers neo-zelandeses são os únicos a se formarem em meio a uma floresta de clima temperado. Eu estava louco pra ver isso tudo ao vivo. A Pri também ficou morrendo de vontade quando chegou aqui e viu os panfletos com fotos dos passeios. Podíamos fazer passeios de meio dia, dia inteiro, dia inteiro com escalada ou vôo de helicóptero com passeio de 2 horas no gelo. Eu fiquei louco pra fazer o de helicóptero, mas o preço obviamente era mais alto. A idéia ficou no ar e não tínhamos certeza de qual iríamos fazer até chegar em Franz Josef. Entramos no quiosque e pedimos pelo passeio comum de meio-dia. A atendente fez uma cara, olhou no computador e falou: “we are fully booked.” Puts e agora? Sentamos na escadinha pra decidir e não demorou 30 segundos para voltarmos para dentro e pedir o passeio de helicóptero. Não tinha mais volta. Jantamos em um restaurante ótimo e fomos dormir cedo, pois o dia seguinte prometia!

 

 

Quarta, véspera de Natal inesquecível. Acordamos cedo e nos mandamos pro ponto de encontro do glacier. Nós nunca tínhamos voado de helicóptero antes e logo na estréia, ainda impressionados com o próprio meio de transporte, sobrevoamos uma maravilha da natureza completamente diferente do que já tínhamos visto. E assim como se fosse uma coisa normal, o cara pousou no gelo! Descemos para conhecer nosso guia style e colocar crampons nas nossas botas para poder caminhar sobre o glacier. O passeio foi muito, muito bom. Estávamos sobre uma camada de 150 metros de gelo e a temperatura era só 1 ou 2 graus mais baixa que na rua. Olhar em volta e ver só gelo não acontece todo dia. Nossas duas horas de caminhada passaram num piscar de olhos. E na hora de ir embora, mais um vôo de helicóptero com direito a mergulho e um puta frio na barriga. O dia podia ter terminado ali, já foi aventura o suficiente, mas ainda era 1 da tarde e nós voltamos pra estrada. Nosso destino dessa vez era Wanaka. Novamente passamos por lugares espetaculares. Tá ficando chato pra vocês, leitores do blog, já nós nunca cansamos de nos supreender com as belezas do caminho. Completamos nosso 2000º km de viagem ao lado do Lake Hawea. Nosso peru de Natal foi substituído por cerveja e chips em um barzinho de frente para o Lake Wanaka. Eu nem pendurei minha meia perto da lareira porque eu não tinha mais nada pra pedir…

 

 

Quinta, Natal. Day off pra todo mundo e um pouco de sossego para nós. Wanaka é uma cidade muito aconchegante. Fica de frente para o Lake Wanaka e cercado por imponentes montanhas. Deu vontade de voltar lá durante o inverno para ver como fica a paisagem. Passamos o dia à beira do lago. Montamos nossas cadeiras de jardim, eu abri meu notebook e a Pri abriu o livro dela. Vida dura. Conhecemos um cachorro que adotava donos a cada 15 metros. Eu fui rejeitado rapidinho porque ficamos com dó de arremessar o graveto na água (estava muito fria), mas era bem isso que ele queria, então nos deixou após o terceiro arremesso. Almoçamos e jantamos em dois dos três únicos restaurantes abertos no dia de Natal.

 

 

Sexta o vento não nos deixou fazer caiaque no Lake Wanaka e seguimos viagem para Cromwell, terra de fazendas de pêssego, cereja e uma infinidade de berries: strawberry, raspberry, cranberry, boysenberry e tô-esquecendo-alguma-berry. Nosso objetivo nessa viagem era reencontrar o Walker que está em Cromwell trabalhando na colheita de cerejas. Pegamos nosso lugar na sombra num camping imenso e lotado. Tinha tanto trailer e tanta barraca gigante que pareciam pessoas preparadas para morar no lugar. O Walker chegou lá pelas 5h. Ele tá cabeludo, se continuar assim consegue um emprego de Jesus na próxima Páscoa. Junto com ele uma kiwi que não gosta de sapatos e um francês que tirou uma foto muito massa de um possum morto. Fomos tomar um sorvete de real fruit. A coisa funciona assim: você escolhe as frutas em um buffet e vai tudo pra um buraco negro junto com sorvete de baunilha, aí entra uma broca animal e esmaga tudo junto, voilá, do outro lado sai um sorvetão! Eu que não como fruta achei meu sorvete de mix de berries bem saboroso. Depois disso fomos todos para o lago onde os três malucos tiveram a coragem de entrar na água. É verdade que ao ver uma água transparente e verdinha como aquela dá uma vontade louca de pular, mas a temperatura é muito baixa, não tem como. Eles não concordavam e pularam mesmo assim. 47 segundos depois eles passaram a concordar e saíram correndo da água, hehe. Depois do rio a kiwi voltou pra casa e fomos eu, a Pri, o Walker e o Bastian em um restaurante Thai esquentar nossas línguas com a pimenta e esfriar com uma garrafa de Shiraz. Nossa noite terminou no camping sentado no chão ao lado da van ouvindo Lenine. O francês, como não podia deixar de ser, tirou sabedeus da onde um olive bread, um camembert e uma caixa (sim, uma caixa) de vinho. Foi bem legal, mas não deu pra colocar nem um décimo do papo em dia. Fica para a próxima vez que toparmos com o Walker nessa Nova Zelândia.

 

 

Sábado saímos para reconhecimento de território em Cromwell. Ao lado do lago: vinhedos. Do outro lado: deserto. Ok, não exatamente deserto, mas é que a paisagem muda tanto que faz sentido que eles chamem de deserto. Foi uma área de exploração de ouro no século XIX e o que sobrou foi mantido pelo Department of Conservation para preservar a história. Fizemos metade de uma trilha, vimos algumas cavernas e milhares de abelhas. Alguém aí sabe dizer porque abelha gosta tanto de flor roxa? Tinha muita flor roxa naquelas plantinhas não muito simpáticas do deserto e com elas um zumbido constante e abelhas de todos os tamanhos. Voltamos para a estrada e rumamos para Queenstown. Logo na chegada reservamos cinco noites no camping e, se não tivéssemos feito isso, estaríamos sem cozinha e banheiros porque depois lotou tudo. Reservamos também algumas atividades para o nosso período na cidade. Quem já ouviu falar de Queenstown sabe que é a capital dos esportes radicais e nós compramos nosso bilhetes para alguns deles. Contudo nosso primeiro passeio seria um calmo cruzeiro em Milford Sound, não muito longe de Queenstown. Bom, isso era o que eu pensava até olhar o mapa com mais cuidado. Longe não é realmente, mas a única estrada para lá é dando uma puta volta pelo sul transformando o que seria um pulinho em uma viagem de 300 km e prováveis 5 horas de estrada. Tudo bem, sem problemas. A previsão do tempo era de sol, então fomos dormir preparados para a jornada do dia seguinte.

 

 

Domingo montamos os sanduíches e saímos. Contornamos montanhas de pedra ao redor do Lake Wakatipu e passamos por minúsculas cidadezinhas onde a placa de Bye ficava antes da de Welcome. O dia estava ensolarado e quente, mas a cara foi mudando conforme fomos chegando perto de Milford Sound. O ar foi ficando úmido e subindo as montanhas parecíamos entrar nas nuvens. Das encostas escorríam filamentos de água como se fossem riachos verticais formando repetidas cachoeiras. Esse negócio de abençoado por deus e bonito por natureza faz muito sentido por aqui. Parece um parque de diversões montado naturalmente, você anda um pouco e já encontra mais uma atração. E como a gente queria brincar, compramos nosso ticket para o cruzeiro em Milford Sound e também para o observatório debaixo d’água. Não era nosso dia de sorte, chegando lá descobrimos que o observatório estaria fechado no horário do nosso passeio e nos devolveram o dinheiro do ingresso. Foi uma pena, mas pelo menos tínhamos o cruzeiro. O lugar ainda estava completamente úmido e nublado e tivemos que trocar bermuda e havaianas por calça e moletom. Embarcamos no Spirit of Milford e navegamos por uma região montanhosa que teve seus vales alagados há milhares de anos. Dessa vez os riachinhos verticais viraram cachoeiras de verdade. Durante o passeio o barco entra embaixo de duas delas e, apesar do frio, nos aventuramos em ficar do lado de fora para sentir o spray de água gelada. O lugar é muito bonito, uma pena que o tempo não estava bom. Na volta, conforme nos afastamos das montanhas, voltou a fazer sol. O fim de tarde dura até quase dez da noite por aqui e o sol deitado deixa as paisagens ainda mais bonitas. No caminho vimos várias criações de ovelhas, vacas e cervos – pra que diabos eles criam cervos eu não sei. Tive o azar de bater em um passarinho que voou na frente do meu vidro, mas consegui freiar a tempo de ver uma lebre cruzar a pista. Depois de escurecer a van foi alvo do suicídio de uns duzentos insetos voadores que simplesmente não conseguiam resistir à luz dos faróis. Eu tive a impressão de ouvir um deles falando: “Cara, eu vou lá naquele farol nem que seja a ultima coisa que eu faça na vida!”

 

 

Posted by Bruno Imbrizi  

NZ Trip - Week 1

December 20, 2008

Ao vivo ela pareceu mais bonita do que eu me lembrava dela. E também me pareceu mais baixa. Quem é essa pessoa que vem agora e me abraça? Sete meses depois deu uma sensação estranha, mas não demorou para ficarmos à vontade de novo.

O primeiro dia era pra ser ensolarado e não foi. Os outros eram pra ser de chuva e não foram, menos mal. Nos 4 dias que passamos juntos em Auckland, visitamos Long Bay, Takapuna, Mission Bay, Kohimarama, St. Heliers Bay e Devenport. Apesar do frio que fazia à noite, pegamos praia quase todos os dias. Jantamos com o Rafael e a Paula em um restaurante francês e subimos a Sky Tower para rodopiar 360º enquanto um garçon indiano achava ridículo qualquer coisa que fazíamos, falávamos ou pensávamos. Cozinhamos juntos. Tomamos sorvete na pracinha. (No dia seguinte voltamos à pracinha para procurar minha carteira, mas essa fica pra outro post).

 

 

Segunda foi dia de preparar os sanduíches e de esticar o lençol no colchão da van. Por volta de meio-dia e meia deixamos Auckland em direção ao sul. O tempo estava ruinzinho e até Taupo tivemos poucas surpresas, apesar de uma ou outra paisagem interessante. Em Taupo, editaram a cor do rio Waikato antes de passarmos. De Taupo a Napier, uma estrada de 150 km sem nada, nenhum posto de gasolina, nenhuma lojinha, o único sinal de civilização foi um telefone público lá pelo km 90. Nessa estradinha começamos a entender porque todo mundo fala que a Nova Zelândia é linda. A paisagem era incansavelmente bonita. O sol de fim de tarde dourava as encostas das montanhas e o diálogo dentro da van variava do “uau” para o “puta que o pariu olhe isso”. Lindo mesmo. Chegamos em Napier, uma cidadezinha simpática e organizada. Passeamos perto do chafariz, vimos o mar verdinho e a praia de pedrinhas pretas ao invés de areia. Na hora de dormir, procuramos uma rua escura e tranquila para estacionar a van e pular pro ban… digo, pra cama de trás. Ficamos um pouco preocupados, mas rua tranquila na Nova Zelândia é tranquila mesmo e a noite foi bem sossegada.

 

 

Terça foi dia de voltar pra estrada. O destino era Wellington, onde tínhamos que passar a noite para pegar o ferry para a South Island no dia seguinte. Saindo de Napier começou um novo festival de paisagens incríveis. A van não corre nada, é lenta na reta e tem que descer pra empurrar na subida, mas mesmo se estivéssemos de Ferrari a viagem teria demorado muito além do normal, pois paramos incontáveis vezes para bater fotos ou simplesmente ficar boquiabertos com a paisagem. A Pri dirigiu a van por uns 30 km após Palmerston North, passando por Levin. Pra ela foram várias novidades juntas, dirigir um trem grande, em uma auto estrada e do lado direito do veículo! Acredito que foi emocionante pra ela, mas não tanto quanto pra mim, eu quase morria do coração cada vez que a van caía pra esquerda. Foi legal, tomara que ela aceite dirigir mais vezes até pegar confiança. Em Welligton nada demais. Constatamos o que todo mundo fala: venta forte o tempo inteiro. Já tínhamos pouco tempo e perdemos muito dele no trânsito, quase não deu pra ver a cidade. Achamos um motor camping cheio de tiozão e passamos a noite lá.

 

 

Quarta acordamos cedo e fomos pro ferry. Saímos com um tempo horroroso e um balanço no mar que deixou a Pri enjoada nas primeiras duas horas. Chegando na South Island o ferry já estava deslizando macio e o sol colorindo as montanhas. Em Picton poderíamos escolher o caminho para Nelson pelas rodovias convencionais ou um alternativo que ia acompanhando o mar. Óbvio que fomos pelo alternativo. A van causou sofrimento para quem vinha atrás e tinha que aguentar seus 45 km/h nas curvas e subidas. Não bastasse isso, paramos dezenas de vezes para bater fotos ou admirar a paisagem. Uma viagem que deveria ser de duas horas acabou levando a tarde toda. Foi incrível. Uma hora paramos para um scenic lookout e saiu um pássaro bizarro de trás de uma moita. Em vez de fugir da gente, ele veio na nossa direção. A Pri foi na van e pegou um pedaço de pão pra dar pra ele e não é que o bicho comeu na mão dela? A foto saiu centésimos depois da bicada. Chegamos tarde em Nelson, mas o dia por aqui está comprido, o sol se põe lá pelas 9h da noite, então deu pra aproveitar um pouco da cidade, ainda mais simpática e organizada que Napier. Jantamos em um restaurante na Trafalgar Street, uma rua de calçada bonitinha, mesas para fora e flores penduradas nas marquises. Para passar a noite, encontramos um motor camping muito bom em Tahunanui Beach ali perto.

 

 

Quinta foi dia de descansar da boléia. Em vez de volante, ficamos andando por Nelson e por Tahunanui. De manhã fomos tomar café no parque e ficamos cercados por gaivotas. Não vi pombo em Nelson, mas vi muita gaivota. E como as bichinhas são nervosas. Como elas conseguem morar num lugar tão lindo e sossegado e ficar tão estressadas? Haha. Tomamos sol na praia, passamos frio no supermercado e comemos no Burger King (aqui não tem muito como fugir disso). Quando o sol desceu lá pelas 9:15, seguimos viagem um pouco mais ao norte até Motueka, onde achamos mais um motor camping bacana. A idéia era ficar mais perto do Abel Tasman National Park, que pretendíamos visitar no dia seguinte.

 

 

Sexta acordamos bem cedinho. Eu reservei um passeio chamado Torrent Bay Tour no Abel Tasman. Todo mundo fala que o Abel Tasman é imperdível e a gente tinha que conferir. Por azar o dia não amanheceu tão ensolarado, mas fomos mesmo assim. Logo de manhã, duas horas de caiaque pelo mar. Foi muito legal. O mar liso liso, quase uma lâmina d’água, não tem coisa melhor que pegar um caiaque e remar pra ver o que tem atrás daquela curva. Foi muito bom. Na chegada o guia deu tchau e boa sorte, o passeio continuava por nossa conta. Iamos seguir só eu e a Pri mata adentro até um lugar chamado Torrent Bay. E lá fomos nós. Estávamos de chinelo e shorts porque o guia do caiaque falou que calça e tênis não era uma boa. Tínhamos só um sanduíche de pão com presunto e queijo que sobrou do café da manhã porque o panfleto dizia que com $12 poderíamos comprar um almoço, mas não disse que só tinha lugar pra vender na saída. Pra piorar começou a chover. Situação terrível? Não. Não mesmo. Foi um passeio espetacular. Não somos muito naturebas, mas ficamos embasbacados com as árvores e os pássaros do parque. E a água, óbvio. Piscinas naturais de água transparente, mini praias, riachos de água verdinha e o marzão incrível pra todo lado. Foi uma pena não estar fazendo um calor de 30º pra gente poder se jogar na água. Pra voltar esticamos o braço e chamamos um Aqua Taxi.

 

 

Sábado. Chuva.
Dia de lavar roupa, atualizar o blog e enxugar a van. Contra nossa vontade…
_ update
Opa, vira vira virou! Depois das duas da tarde o tempo abriu e o céu ficou azul. Abandonamos o blog e corremos pra conferir Kaiteriteri, uma praia de areia laranja, dezenas de gaivotas e mar verdinho. Depois rumamos para Takaka num caminho extremamente sinuoso. A pista simples somada à altura da montanha dava frio na barriga. Um mirante lá em cima dava pra ver tão longe que eu acho que vi até a torre da Telepar. Depois passamos por diversas ovelhas, vacas e outros bichos. Na volta a Pri dirigiu mais uns 30 km, inclusive passando por uma ponte de uma mão só e fazendo uma curva de 180º na subida! Dormimos no mesmo motor camping. Dica para quem estiver pensando em viajar de carro/van/campervan pela Nova Zelândia: vale a pena procurar pelos Top 10 Holiday Parks, são todos muito bons.

 

 

Domingo, dia de virar a página do mapa. Acordamos e rumamos para Westport. O caminho foi o mais gostoso de dirigir até agora. A estrada pra variar estava um tapete e desta vez não teve muita subida nem era muito sinuoso. Westport não tem nada demais. Lugarzinho bem lugarzinho mesmo (adaptando uma expressão do Walker). Nosso parâmetro pra saber se a cidade vai ter uma alguma estrutura é ver um McDonald’s e um KFC logo na entrada, em Westport não tinha nenhum. Casinhas pequenas, algumas caindo aos pedaços e um ambiente mais interiorano e aparentemente não tão feliz com a presença de turistas. Mesmo assim, não tem lugar feio por aqui, é só chegar perto da água para encontrar a beleza de novo. Passamos de carro por uma rua que se afastava da praia e ia até um farol. De lá pudemos ver um mar imenso cujas ondas carregavam uma força assustadora. Antes de ir embora, testei sem sucesso a tração 4×4 da van e tive que contar com um empurrãozinho do pessoal que estava por ali.

 

 

Posted by Bruno Imbrizi  

Ansiedade

December 10, 2008

10.12 // 8:23pm
A Pri tá chegando! Há sete meses eu iniciei este blog antes de sair do Brasil declarando minha ansiedade nos últimos dias antes da viagem. E hoje estou eu de novo, inquieto, distraído, chacoalhando o pé. Faltam pouco menos de oito horas para o avião dela aterrissar em Auckland. Vou tentar driblar a ansiedade e dormir um pouco pra poder levantar de madrugada e ir buscá-la.

10.12 // 9:10pm
De acordo com o site do Weather Channel, previsão do tempo pra amanhã é Sol! Woo hoo!
De acordo com o site do Auckland Airport, o vôo da Pri deve chegar com uma hora de atraso… hmmm, vou ficar de olho.

11.12 // 4:20am
Bwaah, que sono! O vôo da Pri foi remarcado pras 5:30. Hora de ir pro aeroporto!

11.12 // 8:45am
Ææææ! A Pri chegou! Ela saiu do portão de Arrivals por volta de 6:05 e agora está aqui do meu lado enquanto escrevo, portanto o post é curto. Até!

Posted by Bruno Imbrizi  

Cheiro de Sundown

December 8, 2008

Duas semanas em sequência: sábado e domingo de sol e calor, segunda de chuvisco e ventania. Sensacional (exceto pros meus flatmates que folgam segunda e terça, deu dó). O velho clichê “faz tempo que não escrevo nada aqui, tenho andado muito ocupado e tal…” é verdade. Tenho andado ocupado indo à praia! Em vez de ocupar minhas tardes com análises culturais usando vocabulário pobre, me lambuzo de Sundown e vou pra areia! E pra piorar, em vez de prestar atenção nos hábitos kiwis na praia, ou no vestuário, ou nos esportes, algo digno de nota pra depois postar algo interessante aqui. Não, nada, tou nem aí, só quero saber de me divertir.

O verão é demais. Morar em cidade com praia é muito bom. Não precisa fazer mala, passar no mercado, marcar hora pra sair. Não precisa nem trocar de roupa. Dá pra ir pra praia entre o almoço e a janta. Dá pra pegar praia no caminho. Vista pro mar é praxe. Pra quem nunca passou mais que sete dias seguidos perto do mar, eu tô achando ótimo! O cheirinho de Sundown ainda me dá aquele frio na barriga, aquela expectativa pela uma tarde gostosa na praia.

Neste final de semana um casal de brasileiros gente finíssima que eu conheci aqui me convidou para ir para Kohimarama*. Chegando lá, pura coincidência, encontramos vários brasileiros. Foi a maior concentração tupiniquim que eu presenciei nos últimos seis meses. Deu até vôlei de praia (que por sinal, eu estava um fiasco). Foi legal.

Não é nenhum Rio 40º, mas pra mim tá louco de bom!

* Agora Auckland tem street view no Google Maps. Clickando em Kohimarama ali em cima, você pode clicar no homenzinho amarelo no canto esquerdo e passear pelas ruas. Recomendo ir logo pra beira mar, na Tamaki Drive. Pena que as fotos foram feitas num dia feinho…

Posted by Bruno Imbrizi  

PDA

December 2, 2008

Neste final de semana eu vi um casal andando na rua abraçado. A menina com o braço em volta da cintura dele e ele (que pouca vergonha) apoiando a mão no bolso traseiro da calça dela. Não acreditei quando passei por eles que estavam conversando em inglês. Aqui não se vê disso. Essa cena foi tão incomum que eu reparei e me deu idéia pra mais um post aqui.

PDA - Public Displays of Affection. A coisa é tão rara que tem até nome.
Não me entendam mal, public displays of sacanagem tem bastante. Os limites entre sexy e vulgar aqui vivem sendo confundidos. Pelo menos pra minha cabeça de latino-americano que vê muito mais vulgaridade que provocação, mas sei lá, cada um cada um.

Outro dia vi uma menina dando um tchau pro namorado na biblioteca. Pela rapidez com que ela beijou o cara e logo voltou para uma posição distante e segura como se nada tivesse acontecido, não me espantaria saber que o pai dela é um mafioso que se visse aquele beijo quebraria o indicador do rapaz com um aparador de charuto. Tá, tá, eu sei, pode ter mil motivos, pode ser que o cara fosse casado, ou que ela estivesse com pressa, mas acredite em mim, a expressão era de um casal de namorados normal, só que aqui isso não se traduz em tantos braços e abraços quanto no Brasil. Talvez em casa entre quatro paredes, não tenho como saber, mas em não público. Dá vergonha, não pega bem.

Apesar de eu não ter nenhuma experiência em outro país latino, arrisco dizer que PDA não é exclusividade nossa. Conheci uma inglesa aqui que depois voltou para a Inglaterra e aí foi para Portugal. Ela me escreveu dizendo que tem muito PDA por lá, especialmente no transporte público. A gente conhece esse comportamento, principalmente dos adolescentes se agarrando no busão aí no Brasil, mas ela usou expressões que são de rachar de rir. Algo como “esfregando o beiço um na cara do outro”. Hahaha! Já deu pra perceber que ela não ficou muito à vontade com a cena. E não que ela seja uma púdica, acho que é só diferença cultural mesmo. Aliás, ela tinha um namorado aqui e na única vez que eu os vi juntos ele chegou depois e foi embora antes, sozinho. No meio tempo não rolou um beijo sequer na frente do pessoal.

Já estou há mais de seis meses aqui, minha base para comparações está ficando turva, já não tenho tanta certeza do que eu lembro, mas pra mim casal aqui é mais virtual que no Brasil. Pessoas andando umas ao lado das outras com pinta de casal tem bastante. PDA’s não tem muito não…

Posted by Bruno Imbrizi  

Mais Bislama

November 22, 2008

Continuando o assunto do post anterior, não consegui parar de procurar coisas sobre o Bislama. Você pode achar tudo isso aqui no Google, mesmo assim eu quis compilar algumas coisas num post.

Algumas palavras em Bislama tem origem francesa, como légume que em Inglês seria vegetable e em Bislama ficou legim. O curioso é que a grafia e o som das vogais em Bislama não parece nem com Francês nem com Inglês, mas é quase idêntico ao som das vogais em Português. Se você encontrar uma frase em Bislama basta ler em voz alta como se estivesse lendo um Inglês abrasileirado. Quem nunca brincou de escrever “Du iu uan tu rid a buc?”. É mais ou menos por aí.

Alguns exemplos:
aftenun (afternoon)
bol (ball)
baskel (bicycle)
bokis (box)
bisnis (business)
kantri (country)
fingga (finger)
faea (fire)
flaoa (flower)
haos (house)
mani (money)
mun (moon)
pepa (paper)
tebol (table)
wota (water)

Vamos lá, tente entender o que significa esta manchete de um jornal de Vanuatu:
Proses fud komsamson i kosem plande sik long pipol tede

Muito difícil? Resposta no final do post.*

O Wikipedia me ensinou que o tal long virou substituto para várias preposições em Inglês que, convenhamos, é um saco pra aprender. Você pode usar long para at, in, on, to, by, beside, etc. Espertos os caras, não? E tem o blong também, que vem de belong e engloba tudo quanto é origem, posse, característica ou intenção. Buk blong mi é The book that belongs to me ou My book.

Com todo esse conhecimento acumulado, eu diria que já podemos arriscar a frase mais importante de qualquer idioma: o livro está sobre a mesa. Seria Buk i long tebol?

Talvez seja mesmo. O artigo “Pidginise your English” sugere que você tente simplificar seu Inglês para falar com os habitantes de Vanuatu, pois nem deles se espera um Bislama correto e padronizado. O idioma está em mutação, assim como outros tantos falados em Vanuatu. Vanuatu é considerado o país com a maior densidade per capita de idiomas do mundo. Um dos artigos